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Testemunho de Marcos dos Santos
Eu sou um ex-alcoólatra.
Por que posso dizer ex-alcoólatra? Porque a partir do momento que eu comecei a freqüentar as reuniões do CRFL, minha vida pessoal e familiar mudou.
Minha caminhada nos vícios começou aos 15 anos quando minha turma dava bailes na casa dos amigos. Fumávamos e bebíamos batidas dessas bem coloridas, de morango, côco, abacaxi, à vontade, sem contar para nossos pais. Mas logo achamos que essas bebidas eram fracas e passamos, então, para caipirinha, campari, contini.
Mas, com o tempo, a bebida também passou a ser insuficiente. Veio então a maconha e outras drogas.
Comecei a trabalhar fazendo carreto nas feiras e conheci um amigo que batia (roubava) carteira e, na maioria das vezes, eu terminava o dia com pouquíssimo dinheiro e ele, de bolso cheio, rindo de mim, me chamando de otário. Não resisti e acabei furtando também. Tínhamos que mudar de feira com freqüência porque ficávamos manjados. Fui preso algumas vezes e encaminhado para Febem.
Aos 17 anos, já estava fazendo assaltos à mão armada. A bebida e as drogas me encorajavam “fazendo a sombra”, como nós falávamos. Muitas vezes a minha mãe encontrava drogas no meu bolso, jogava no vaso, dava descarga e eu ganhava um grande sermão.
Eu me drogava e me armava, torcia para alguém mexer comigo para arrumar uma grande confusão.
Dos 17 para 18 anos, parei de assaltar porque já tinha perdido muitos amigos que haviam sido assassinados, até mesmo aquele que batia carteira e que até hoje não encontraram o corpo.Comecei a ter medo porque um investigador de polícia falou para minha mãe que o meu fim seria ou a cadeia ou o cemitério.
Parei de roubar, mas não parei com as drogas e com o álcool.
Aos 20 anos, conheci minha esposa e deixei um pouco de lado aquela vida de drogas e álcool. Os meus amigos insistiam para que eu voltasse, mas minha esposa me ameaçava dizendo que se eu voltasse para esta vida, ela me abandonaria.
Hoje, muitos dos meus amigos já não existem mais, foram mortos pela polícia ou pelos traficantes.
Comecei a freqüentar uma igreja que não proibia a bebida. Minha esposa nunca concordou com isto, porque eu tinha a desculpa que precisava para voltar a beber. Fiquei mais de 15 anos nessa religião, mas não consegui meu desenvolvimento espiritual. Parecia que eu tinha uma dupla personalidade, um dia na congregação e outro no bar, completamente bêbado, não conseguia deixar de beber.
Minha esposa falava que eu bebia por falta de vergonha e que eu estava difamando a igreja.
Eu freqüentava a igreja, os Alcoólicos Anônimos, o N.
Minha esposa já tinha perdido as esperanças de que um dia eu pudesse parar de beber. Comecei a tomar tira-álcool, tomei vários frascos e não obtive resultados. Eu achava que Deus estava cansado de me ouvir pedir ajuda, e sempre voltava a beber, perdendo vários empregos.
Quando eu passava na frente do CRFL eu pensava comigo mesmo: “qualquer dia eu venho aí”. Cheguei a comentar com minha esposa e decidimos.
Comparecemos a uma reunião e então fiz o compromisso e fiquei 29 dias sem usar nada. Mas recaí e fiquei com vergonha de voltar.
Lembrei de uma frase que tinha no quadro de aviso: “se cair, levante e tente novamente”.
Voltei no dia 27.09.05 e refiz o compromisso, pois eu tinha convicção de que conseguiria, sem importar o número de tentativas que tivesse que fazer. E sempre tive a companhia de minha esposa e filha.
Hoje já posso dizer que sou um vencedor, pois com a ajuda de Deus, do CRFL, e da minha esposa, hoje sou um novo homem, sem o álcool e sem as drogas.
São Paulo 28.02.06
Marcos Santos
46 anos - Alcoólatra e Dep. Químico |